O superávit recorde gera também alerta logístico

O primeiro semestre de 2026 consolidou a China como parceiro estratégico do Brasil em uma escala sem precedentes: US$ 58,3 bilhões em exportações contra US$ 38,5 bilhões em importações. 

O momento não é isolado: enquanto o comércio com os Estados Unidos ainda absorve os efeitos das tarifas impostas por Trump, o fluxo com a China segue em direção oposta, ganhando espaço justamente na janela aberta por essa reconfiguração global. 

A participação chinesa nas exportações brasileiras (31,6%) é quase o triplo da americana, O saldo com os EUA segue deficitário, enquanto o superávit com a China já passa de US$ 19,8 bilhões no período.

Mesmo antes do “tarifaço” norte americano, dados da Logcomex, sobre a análise de janeiro a maio de 2025 revelavam o crescimento como uma tendência: a China ampliou sua participação como origem das importações brasileiras, saltando de 51,5% para 53% em comparação ao mesmo período de 2024. Enquanto isso, Vietnã (queda de 7,74% para 6,94%) e Estados Unidos (redução de 5,85% para 5,23%) perderam espaço relativo.

O embarque físico cresceu 122% no primeiro semestre de 2026.

Devido ao conflito no oriente, as tensões no Estreito de Ormuz, as exportações de petróleo para a China somaram o recorde histórico de US$ 7,19 bilhões no trimestre. Mas o dado que importa para quem acompanha o volume é outro: o embarque físico cresceu 122% no período. 

A China busca no pré-sal brasileiro uma alternativa às tensões no oriente, e isso muda o padrão de demanda por espaço em navio-tanque. Dessa forma, o Rio de Janeiro se consolidou como o hub exportador com US$ 13,6 bilhões no semestre, derivado da comercialização do petróleo bruto respondendo por 86% de todo o óleo vendido à China saindo do estado do Rio de Janeiro. 

Segundo a Câmara de Comércio Exterior (Gecex-Camex), outro fator que influenciou o crescimento das importações China-Brasil, foi a antecipação de compras de elétricos e híbridos antes do aumento tarifário de julho/2026, quando as alíquotas saltaram de 25%-28% para 35%. Com US$ 1,23 bilhão importados no trimestre, (alta de 7,5x), a China responde por 97% desse segmento no Brasil, sendo o Espírito Santo a porta de entrada de 92% dos híbridos importados pelo Brasil (65% das importações chinesas do estado).

O que vem pela frente no segundo semestre

A consolidação do superávit recorde no primeiro semestre de 2026 reflete uma parceria estratégica entre Brasil e China cada vez mais madura e complementar. No entanto, o crescimento acelerado do fluxo físico exigia uma resposta à altura na infraestrutura nacional para evitar o estrangulamento da cadeia logística.

Para o segundo semestre de 2026, espera-se a manutenção do forte volume de exportações de petróleo e agronegócio, enquanto as importações de veículos elétricos tendem a passar por uma acomodação devido à nova alíquota tarifária de 35% (FMI, 2026 apud CNN BRASIL, 2026).

Mais do que planejamento futuro, o segundo semestre de 2026 consolida entregas imediatas. No Porto de Santos, a Ferrovia Interna (FIPS) avança para a conclusão de sua Pera Ferroviária, projetada para aumentar a capacidade do complexo em 20 milhões de toneladas anuais sem a necessidade de desmembramento dos trens. 

No Nordeste, a Transnordestina ganha mais 120 quilômetros de linhas prontas, enquanto o Porto Central, no Espírito Santo, acelera a instalação de seus quebra-mares e fundações marítimas, estabelecendo a base para um salto de produtividade e mudanças substanciais no comércio Internacional. Tais projetos são a resposta do setor às urgências logísticas do país: a infraestrutura está finalmente saindo do papel para encontrar as cargas no cais.

Em um ecossistema logístico que passa a ser moldado por megaportos e novos corredores continentais, o planejamento logístico profissional e a precisão documental não são mais diferenciais; são condições de sobrevivência na operação. É exatamente nessa linha de frente que a HAND LINE atua todos os dias, acompanhando de perto e garantindo a segurança das operações que sustentam o comércio entre Brasil e China.

Referências:

BRASIL. Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) / Câmara de Comércio Exterior (CAMEX). Resolução Gecex sobre o cronograma de elevação do Imposto de Importação para veículos eletrificados (alíquota de 35% vigente em julho de 2026). Brasília: MDIC/Camex, 2026.


INFRA S.A. / MINISTÉRIO DOS TRANSPORTES. Plano Nacional de Logística (PNL 2050). Brasília: Ministério dos Transportes, 2026. Disponível em: https://pit.infrasa.gov.br/. Acesso em: ago. 2026.


CONSELHO EMPRESARIAL BRASIL-CHINA (CEBC). Exportações do Brasil à China batem recorde com o petróleo. In: PODER360. Brasília, 16 abr. 2026. Disponível em: https://www.poder360.com.br/poder-energia/exportacoes-do-brasil-a-china-batem-recorde-com-o-petroleo/. Acesso em: 20 ago. 2026.


CONSELHO EMPRESARIAL BRASIL-CHINA (CEBC). Comércio Brasil-China bate recorde com alta de veículos eletrificados. In: PODER360. Brasília, 20 jul. 2026. Disponível em: https://www.poder360.com.br/poder-economia/comercio-brasil-china-bate-recorde-com-alta-de-veiculos-eletrificados/. Acesso em: 20 ago. 2026.

FUNDO MONETÁRIO INTERNACIONAL (FMI). FMI reduz previsão de crescimento global para 2026 a 3%. In: CNN BRASIL. São Paulo, 8 jul. 2026. Seção Economia / Macroeconomia. Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br/economia/money/macroeconomia/fmi-reduz-previsao-de-crescimento-global-para-2026-a-3/. Acesso em: 20 ago. 2026.

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